quarta-feira, 12 de março de 2008

Recife, 471 anos


Poderíamos comemorar o aniversário do Recife por vários motivos:
um deles seria porque fomos berço das revoluções libertárias e onde se forjou a Pátria brasileira, mas alguém nos lembraria que somos reféns do medo da violência urbana que explode na nossa cidade.
Poderíamos comemorar por termos um dos maiores pólos de medicina do País, mas alguém nos lembraria do caos em que se encontra o sistema de saúde da nossa cidade.
Poderíamos comemorar por termos o maior shopping center da América Latina, mas alguém não hesitaria em dizer que o nosso povo está sem poder aquisitivo para comprar até mesmo o essencial.
Poderíamos comemorar por termos a maior avenida em linha reta do mundo - a Caxangá, mas alguém nos reclamaria dos buracos espalhados pelas avenidas e ruas de nossa cidade. Poderíamos comemorar por termos o extraordinário Rio Capibaribe, "Capiberibe", cortando a cidade, mas alguém nos alertaria do cão sem plumas no que ele se transformou devido à sujeira que toma conta de seu leito.
Poderíamos comemorar por termos um grande pólo de informática, referência no País, mas alguém replicaria dizendo que são muitos os excluídos digitais de nossa cidade.
Poderíamos comemorar por termos, na divisa com Olinda, a maior casa de show da América Latina, mas alguém retrucaria para dizer que são poucas as áreas de lazer de nossa cidade. Poderíamos comemorar pelo belo mar que temos em Boa Viagem, mas alguém lembraria que muitos sofrem com a precariedade do abastecimento d´água nos bairros espalhados pela cidade. Poderíamos comemorar e nos orgulharmos dos nossos grandes literatos que declararam seu amor pelo Recife e são referências mundiais: João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Carlos Penna Filho, Gilvan Lemos, Raimundo Carrero, Luzilá Gonçalves, Nélson Rodrigues, Josué de Castro, Paulo Freire, Gilberto Freyre, Joaquim Cardoso, além de Ariano Suassuna (coração recifense), entre tantos outros, mas alguém diria que falta maior incentivo à cultura e que há muitos esquecidos, à margem da importância que merecem, seja nas artes, na literatura ou nas calçadas da cidade.
Mas esse alguém jamais poderia me dizer, retrucar ou mensurar o que sinto pela minha querida cidade; eu a amo, Recife, com todos os seus contrastes, com suas qualidades e defeitos, como se deve amar de verdade: "na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença'', pois tenho contigo um caso de amor abençoado por Deus!
Minha cidade, onde carrego no coração, faz 471 anos, orgulho de ser desta terra, orgulho de ser de Recife. Minha bela cidade, veneza do Brasil.
Parabéns Recife!
Recife pra sempre no coração, Recife pra sempre comigo!!!